------------------ A tríade letal no trauma: hipotermia, acidose e coagulopatia

Revisão de Literatura

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Este é um trabalho premiado

Mikaele de Souza Sales

Graduanda em Medicina, Universidade Federal do Cariri

Lucas Lopes Grangeiro

Professor, Universidade Federal do Cariri

OBJETIVO: Elucidar os mecanismos da tríade letal no contexto do trauma e a abordagem terapêutica desta condição. MÉTODOS: Revisão de literatura de 2010 a 2019, na base de dados MEDLINE com descritores MESH "Blood Coagulation Disorders", "Acidosis", "Hypothermia" e "Wounds and Injuries", independentemente do idioma. Foram obtidos 45 resultados, dos quais 20 foram selecionados por estarem diretamente relacionados ao tema. RESULTADOS: Hipotermia e acidose são prejudiciais à coagulação, particularmente quando em associação, resultando na “tríade letal”. Acidose com pH ≤7,2 acelera a degradação do fibrinogênio e temperatura <34ºC inibe a síntese do mesmo, enquanto ambas inibem a geração de trombina e a função plaquetária, promovendo aumento do tempo de protrombina, tempo de tromboplastina parcial ativada e tempo de sangramento, com menor potencial de reversibilidade imediata quando resultante da acidose. A hipotermia pode ser minimizada pela infusão de fluidos pré-aquecidos, utilização de mantas térmicas e controle de hemorragias. A acidose relaciona-se à hipoperfusão tecidual e aumento do lactato, sendo imprescindível restaurar a perfusão tecidual adequada. A coagulopatia, além de secundária à hipotermia, acidose ou hemodiluição, pode ser um fenômeno independente e agudo no trauma grave, relacionado a uma síndrome da resposta inflamatória sistêmica, prejudicial à coagulação. Seu reconhecimento precoce é decisivo para rápida preparação de produtos sanguíneos, considerando-se ainda o uso de ácido tranexâmico e fatores específicos da coagulação. CONCLUSÕES: O tratamento de pacientes gravemente traumatizados com a tríade letal é desafiador, visto que hemorragia é a principal causa de morte nas primeiras horas após o trauma. Reconhecimento e tratamento precoces da coagulopatia são essenciais para um bom desfecho. Testes viscoelásticos podem orientar a terapêutica nestes pacientes, sendo mais ágeis e com menos limitações diagnósticas que os testes de coagulação convencionais.