------------------ Fasciíte Necrosante Extensa Em Região Cervical E Torácica Após Infecção Odontológica.

Relato/Série de Casos

Ver autores ⯆

Este é um trabalho premiado

Renata Maria da Silva

Discente do curso de medicina, Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF)

Francieudo da Silva Gomes Junior

Discente do curso de medicina, Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF)

Emerson de Jesus Silva

Discente do curso de medicina, Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF)

João Vítor Bezerra Firmiano

Discente do curso de medicina, Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF)

Hianga Fayssa Fernandes Siqueira

Docente do curso de medicina, Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF)

INTRODUÇÃO: A fasciíte necrosante é uma infecção bacteriana de partes moles rara e de rápida progressão, caracterizada pela necrose supurativa dos tecidos fascial, gorduroso e neural. Essa condição envolve dor intensa, alta mortalidade após os 60 anos e seu diagnóstico é predominantemente clínico. Nesse contexto, o presente trabalho busca relatar o caso da incomum evolução de abscesso dentário à fasciíte necrosante extensa em região cervical e torácica com integração completa após enxertia de pele parcial, apesar das comorbidades associadas. RELATO DO CASO: CFS, feminino, 64 anos, diabética, hipertensa e desnutrida, internada desde 03 de janeiro de 2020 em Lagarto (SE), refere, após inflamação odontológica por mais de 15 dias, dor intensa em região cervical e colo acompanhada de eritema, tumoração, flutuação e coleção purulenta evidenciada em 01 de janeiro de 2020; nega febre. Ao iniciar uso de ciprofloxacino IV apresentou drenagem purulenta no dia 05 de janeiro de 2020. A paciente evoluiu de abscesso descendente à fasciíte necrosante no tórax anterior e inferior e zonas cervicais 1 e 2. No dia 16 de janeiro de 2020 foi admitida no Hospital de Urgência de Sergipe onde iniciou terapia com ceftriaxona, clindamicina, gentamicina e mesoperem seguida, após dois dias, de abordagem cirúrgica (desbridamento da área necrótica) e realização de curativo com papaína 10% e hidrogel. Após 45 dias, foi realizado o enxerto de pele parcial a partir da coxa (área doadora). A retirada do curativo ocorreu depois de 5 dias, com integração completa. Até o dia 08 de julho de 2020 a paciente exibiu melhora do quadro clínico e cicatrização adequada do enxerto. COMENTÁRIOS: A evolução da enfermidade inicial à fasciíte necrosante possui causa multifatorial, de modo que destacam-se a intempestividade na busca de assistência médica pela paciente e o seu estado de saúde prévio delicado. Ademais, convém ressaltar que a conduta cirúrgica e polimedicamentosa constituiu a melhor opção terapêutica.